O aumento de casos confirmados no Brasil tem preocupado
autoridades sobre o controle do vírus no País. Os cientistas tem investido,
além de pesquisas sobre o contágio e tratamento a doença, sobre previsões do
contágio. No Ceará, os
casos passaram de 60, de acordo com o último boletim, divulgado
na sexta-feira, 20. No Brasil, são
904 casos e 11 óbitos. Segundo especialistas, até 2 milhões de
mortes podem acontecer no Brasil no pior cenário se medidas para conter o vírus
não forem tomadas.
O número é
resultado da pesquisa do professor José Dias do Nascimento Júnior, doutor em
Astrofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Astrônomo
associado ao Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, e do professor
Wladimir Lyra, doutor da New Mexico State University. O modelo dos
pesquisadores aplicado no dados do Brasil resultaram em que cada pessoa
infectada está, em média, infectando seis pessoas. Essa taxa provoca a
duplicação entre 2 e 3 dias. Wladimir Lyra analisa que o pico no País deve
acontecer em 50 dias e, no começo de maio, mais de 50% da população estará
contaminada.
"Isso são mais de
100 milhões de casos. Os hospitais não têm capacidade de lidar com esse número.
E, ao final da epidemia, teríamos 2 milhões de mortos", afirma em
entrevista ao portal Tecmundo. Eles montaram a pesquisa, a partir de um modelo
matemático criado para matematizar os casos de coronavírus já existentes e
novos.
O prognóstico
brasileiro é assustador, segundo eles, porque na Itália os dados são de que uma
pessoa infectada transmite o vírus para, em média, de 3 a 4 pessoas até se
curar ou morrer. O número de casos dobra a cada quatro dias, um dia a mais que
no Brasil. A base de dados usada na pesquisa é mantida e atualizada pelo Centro
de Ciências de Sistemas e Engenharia (CSSE, em inglês) da Universidade de Johns
Hopkins. No trabalho, a população do País foi dividida em quatro pontos: se são
suscetível, infectadas, curadas ou mortos.
Dentro dessas
categorias, eles consideram que o controle da pandemia só acontece em dois
casos: quando todo mundo é infectado e desenvolve imunidade ao se curar ou
quando a taxa de infecção é menor que a taxa de remissão.“A primeira é quando
muitas pessoas foram infectadas e desenvolveram imunidade ao se curar.
Obviamente esse caso é terrível, praticamente toda a população foi infectada em
algum momento durante a epidemia e o número de mortos pode ser assustador”,
ressalta ele.
A pesquisa
foi lançada no dia 16 de março de 2020 e foi previsto que, até o quinto
dia posterior, seria registrado a primeira pelo Coronavírus. No dia seguinte, São Paulo
anunciou a primeira morte pela doença, de um idoso de 62.
Os dois cientistas
alertam para que sejam tomadas medidas de prevenção, especialmente o
distanciamento social, caso contrário os dados vão se concretizar. “Sem
tratamento ou vacina, a única forma desta epidemia parar naturalmente é ela
correr seu curso, infectando centenas de milhões, e matando milhões de pessoas.
Para evitar isso a população tem que parar de sair de casa, praticar
distanciamento social", pontua Lyra. Ele complementa que sem a vacina, a
quarentena é a medida mais eficaz para diminuir a taxa de infecção.
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| Gráfico que projeta o número de mortos e infectados (Foto: Reprodução/Tecmundo) |


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