Para concluir a votação, os parlamentares ainda vão analisar sugestões para alterar a redação do texto. PEC precisa ser aprovada em dois turnos antes de seguir ao Senado.
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| Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, comanda as votações no PlenárioFonte: Agência Câmara de Notícias |
A Câmara dos
Deputados aprovou nesta terça-feira (21), em primeiro turno, o texto-base
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que renova o Fundeb – fundo que financia
a educação básica – e amplia gradualmente a participação da União, até o
patamar de 23% a partir de 2026.
A aprovação foi resultado de um acordo
costurado já nesta terça, horas antes de o texto entrar em votação. O governo
Jair Bolsonaro, que até esta semana tinha participado pouco do debate do novo
Fundeb, enviou proposta e conseguiu alterar pontos do texto, como o ritmo de
aumento da verba federal e a destinação dos recursos ao longo dos próximos
anos.
A proposta foi aprovada por 499 votos
favoráveis e 7 contrários. Por se tratar de uma alteração constitucional, eram
necessários pelo menos 308 votos a favor da matéria.
Os votos contrários à PEC foram dados
pelos deputados Paulo Martins (PSC-PR), Bia Kicis (PSL-DF), Chris Tonietto
(PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Junio Amaral (PSL-MG), Luiz P. O.Bragança
(PSL-SP) e Márcio Labre (PSL-RJ).
Para concluir a votação, os
parlamentares ainda precisam analisar destaques, que são sugestões para alterar
a redação do texto. Até a última atualização desta reportagem, essa fase ainda
não havia terminado.
O rito
normal de tramitação de uma PEC prevê cinco sessões de intervalo antes da
votação em segundo turno, mas a regra pode ser quebrada se houver acordo entre
os partidos. Após essa segunda análise, se aprovado, o texto é encaminhado ao
Senado.
O Fundeb
Considerado essencial
para o ensino público no país, o Fundo de Desenvolvimento da Educação
Básica (Fundeb) deixa de existir no fim deste ano, conforme definido na lei que
o criou. A renovação é considerada essencial para garantir o reforço de caixa
de estados e municípios para investimentos da educação infantil ao ensino
médio.
Em 2019, os
recursos do Fundeb, irrigados por impostos estaduais, municipais e federais,
chegaram a R$ 166,6 bilhões.
A
participação federal é usada para complementar os fundos estaduais que
reuniram, naquele ano, um valor por aluno abaixo do mínimo nacional. No ano
passado, nove estados precisaram receber essa complementação: Alagoas,
Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.
Participação da União
Hoje, a União complementa o Fundeb com
10% adicionais sobre o valor total arrecadado por estados e municípios. O
Congresso defende aumentar esse percentual, mas a discussão
sobre os números e a progressão desse aumento é um dos principais entraves
à aprovação do novo cálculo.
Pela PEC
aprovada, a participação federal no fundo crescerá da seguinte forma:
- 12% em 2021;
- 15% em 2022;
- 17% em 2023;
- 19% em 2024;
- 21% em 2025;
- 23% de 2026 em diante.
>>>
ESPECIAL G1: O
que é o Fundeb
O texto
aprovado prevê ainda que cerca de 5 pontos percentuais da participação da União
sejam destinados
para educação
infantil, que são as creches para crianças de 0 a 5 anos. Em
caso de falta de vagas na rede pública, o dinheiro poderá ser repassado a
instituições privadas sem fins lucrativos.
Articulação
Nos últimos dias, a relatora da PEC,
deputada Dorinha Seabra (DEM-TO), fez algumas mudanças no seu parecer para
atender o governo federal e, assim, evitar a desidratação de outros pontos do
projeto que o Executivo articulava para mexer.
Às vésperas da votação, o Palácio do
Planalto chegou a enviar a alguns líderes uma proposta
alternativa que previa a inclusão de um dispositivo para destinar parte dos
20% repassados pela União ao fundo à transferência direta de renda para
famílias com crianças em idade escolar.
A intenção era que os recursos viessem
a compor o Renda Brasil, programa em estudo que deve substituir o Bolsa
Família.
No entanto, a articulação do governo
federal, com o apoio de partidos do Centrão, base aliada no Congresso, gerou
intensa repercussão negativa entre educadores e parlamentares, e o governo
acabou recuando e concordando com a destinação de uma parte especificamente
para a educação básica.
Confira o relatório aqui!
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Por Fernanda Calgaro e Elisa Clavery, G1 e TV Globo — Brasília

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