Artista tinha 90 anos e estava internada em um hospital da rede particular desde o dia 25 de abril. Além de interpretar diversos papéis em novelas, comandou um programa de rádio por mais de 46 anos e foi eleita vereadora e deputada estadual.
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| Daisy Lúcidi — Foto: Márcio de Souza/TV Globo |
A atriz e radialista Daisy
Lúcidi, de 90 anos, morreu na madrugada desta quinta-feira (7). Ela estava internada
com Covid-19 no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital São
Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio, desde o dia 25 de abril.
Lúcidi integrou o primeiro
elenco de atores da Rádio Globo e fez sua estreia na TV em 1960. Como
radialista, comandou, durante 46 anos, o programa “Alô Daisy”, na Rádio
Nacional. Foi ainda vereadora e deputada estadual no Rio. Sua última
participação em novelas da Globo foi em “Geração Brasil”, em 2014.
O neto da atriz, Luiz
Claudio Mendes, publicou uma mensagem em uma rede social relembrando a festa de
aniversário de 90 anos da artista no ano passado e agradece a todos pelas
mensagens recebidas pela família.
"Nesse momento de
dor para tanta gente no mundo e tão triste também para nossa família, nos
confortamos em saber que ela teve uma vida plena e feliz, cheia de amor,
vitórias e realizações, e que seu legado sempre estará presente entre
nós!", diz um trecho da mensagem.
Estreia nos palcos aos 6 anos de
idade
Daisy Lúcidi Mendes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de agosto de
1929. Seus pais, Clarice Lopez e Quinto Lúcidi, eram de origem portuguesa e
italiana.
Bem humorada e vaidosa, era divertida mesmo quando queria parecer
ranzinza. Descobriu cedo o talento para a interpretação. Foi acompanhando seu
pai nos ensaios de um curso de teatro amador que conquistou seu primeiro papel,
aos 6 anos de idade, na peça “Nuvem”, de Coelho Neto, no teatro Dulcina, no
Rio.
Em 1941, foi contratada para integrar o elenco infantil da Rádio Tupi. O
convite veio do diretor, Teófilo de Barros Filho, durante um concurso de
interpretação.
Com a inauguração da Rádio Globo no fim de 1944, passou a fazer parte da
equipe de atores das radionovelas já no início de 1945. Foi também na rádio que
conheceu seu companheiro, o jornalista esportivo Luiz Mendes, que, à época,
comandava o programa “Alô, Rio”.
Não demorou até que a Rádio Nacional, mais importante emissora da época,
a chamasse para integrar seu elenco, o que aconteceu em 1953. Participou de
séries e novelas de sucesso, que posteriormente foram adaptadas por Janete
Clair para a Globo.
Na TV, sua estreia aconteceu em 1960, participando de uma minissérie
dirigida por Janete Clair, na extinta TV Rio.
A primeira novela na Globo
foi o “Homem Proibido”, em 1967. Também trabalhou em “Supermanoela” (1974),
“Bravo” (1975) e o “Casarão” (1976).
Carreira no rádio: ‘Alô Daisy’
ficou 46 anos no ar
Embora tenha atuado no teatro, na televisão e no cinema, foi no
rádio que se realizou. Depois de consagrar-se como atriz de radionovelas,
passou a comandar um programa próprio, em 1971 na Rádio Nacional.
“Meu negócio é o rádio, que é a minha paixão”, dizia.
“Alô Daisy” ficou 46 anos no ar e denunciava os problemas do quotidiano
da cidade.
A política e a volta à Globo
Ainda na década de 70, Daisy Lúcidi deixou a carreira de atriz
para se dedicar à política, após insistência da então deputada federal pelo
Arena, Lygia Lessa Bastos. Foi vereadora e deputada estadual durante 18 anos no
Rio.
Mas a
vocação artística falou mais alto e 31 anos depois, ela voltou a atuar.
A volta à
Globo, foi em 2007, em “Paraíso Tropical”, a convite de Gilberto Braga, autor
da novela, que soube por amigos que Daisy Lúcidi tinha deixado a política. Como
a encrenqueira síndica Iracema, ela reconquistou a simpatia do público.
Mesmo em papéis difíceis, ganhava elogios pela interpretação. Em
“Passione” (2010), novela de Silvio de Abreu, Daisy viveu a dissimulada Vó
Valentina, que explorava as duas netas. A atriz achava graça no sucesso da sua
primeira vilã e dizia, rindo, que ia acabar apanhando nas ruas por causa das
maldades da personagem.
Em 2013, fez uma participação em “Tapas & Beijos”. A última novela
na Globo, foi “Geração Brasil”, em 2014.
Lúcidi dizia que não pensava em parar e que tinha muito amor pela
profissão.
“Não há nada melhor que fazer o que se gosta e receber o carinho do
povo.”
Daisy Lúcidi era viúva do jornalista esportivo Luiz Mendes, com quem foi
casada por 64 anos. A atriz, que teve um filho também já falecido, deixa três
netos e quatro bisnetas.

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