Festa, que ocorreu no setor de cuidados paliativos do Hospital de Câncer, é uma forma de suavizar o ambiente hospitalar para pacientes e acompanhantes.
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| Pacientes do Hospital de Câncer, no Recife, comemoraram Dia dos Pais nesta sexta-feira (10) (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press) |
O aposentado Antônio Joaquim
Marques, 79 anos, foi um dos participantes da comemoração, que ganhou ainda
outro motivo. Nesta sexta, ele e os filhos voltam para casa depois de uma
temporada de 12 dias de internação.
“Em julho, ele fez uma
traqueostomia depois de descobrir um tumor na garganta. Após a cirurgia, ele
teve uma hemorragia e precisou voltar para o hospital”, explicou Cleide
Marques, filha de Antônio, que revezava os cuidados com pai com os outros seis
irmãos, além de netos e sobrinhos do paciente.
A família, que mora em Camela,
distrito de Igarassu, se prepara para reunir toda a família, que ainda inclui
seis bisnetos, no domingo (12), quando vão cozinhar um bode, a comida preferida
do pai, para celebrar a volta para casa. “Como ele não vai poder comer, vamos
fazer um pirão para ele”, disse a filha.
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| O paciente do Hospital de Câncer Antônio Joaquim Marques vai comemorar o Dia dos Pais em casa, no domingo (12) (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press) |
Já o paciente
José Cassiano de Aquino, de 85 anos, participou da festa com a sobrinha Valda
Cleide. “Ele perdeu a única filha, que teve poliomielite quando já tinha 33
anos, e também ficou viúvo. Morava sozinho, sempre foi muito independente, e
veio morar conosco quando adoeceu”, comentou Valda.
Ela, a mãe e
duas irmãs se revezam nos cuidados com o tio, que tem um tumor no maxilar. “Ele
é muito parecido fisicamente com o irmão, que é meu pai, e cuidamos dele como
se fosse o nosso pai também. Os dois tiveram uma história muito sofrida, porque
ficaram órfãos quando criança e perderam o contato durante anos”, explicou ela,
que acredita que no domingo toda família deve visitá-lo.
Importância
De acordo com
Augusto Cordeiro, psicólogo do setor de cuidados paliativos, comemorações como
essa ajudam a reduzir a carga negativa do hospital para o paciente e para os
acompanhantes.
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| Valda Cleide e José Cassiano de Aquino participaram da comemoração no Hospital de Câncer (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press) |
“Entre o
diagnóstico e o fim do tratamento, são necessárias muitas vindas ao hospital. E
a família acaba adoecendo junto com o paciente, na maioria dos casos, já que a
gente nota que, enquanto o paciente sente a dor física e a dor de ver a família
sofrer, os familiares sentem uma dor emocional”, disse.
Segundo Augusto, as famílias com pacientes
no setor têm um sentimento de perda acentuado, muitas vezes acreditando que
este pode ser o último dia dos pais juntos.”Por isso que aqui celebramos
momentos como esse, porque aqui incentivamos a importância de se viver um dia
de cada vez”, finalizou.
Por Allan Nascimento, G1 PE



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