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terça-feira, 3 de abril de 2018

A saída para o Brasil é mais democracia diz Laura Gomes


Chegamos aos 54 anos de ditadura no Brasil, no último sábado, 31 de março. No regime militar, o Congresso foi fechado duas vezes. Eleições foram suspensas. Foram cassados mandatos. Líderes foram presos. Além da tortura em quartéis, houve mortes, banimentos e restrição às liberdades de reunião e de expressão. Os meios de comunicação foram censurados.

O pretexto do golpe foi a ameaça do comunismo. E todos os suspeitos de apoiar as ideias subversivas foram perseguidos e transformados em inimigos a serem destruídos, até fisicamente. Seguindo uma longa tradição autoritária, o Brasil deixou de lado, mais uma vez, a democracia, e voltou à Ditadura em 1964, como já acontecera em 1937 quando Getúlio Vargas fechou o Congresso, colocou todos os partidos políticos na ilegalidade e governou como ditador até 1945.

As conversas nos bastidores, hoje, em 2018, prenunciam um ambiente cinzento: radicalização nas redes sociais, nas ações de grupos extremistas, nas candidaturas simpáticas à força como solução das questões sociais. Na perseguição às minorias, na violência de gênero, de raça, de status social.

Foto/https://www.facebook.com/LauraGomesPE/
Assassinatos já rotineiros de lideranças defensoras dos mais frágeis na nossa escala social ganharam uma simbolização dramática na figura da vereadora Marielle Franco. A brutalidade política se desenhou, de novo, nos ataques à caravana do ex-Presidente Lula, em estados do Sul, com o incentivo à violência explicitada na mídia por políticos e até uma desembargadora do Rio.

Estamos, portanto, num clima muito semelhante aos tempos próximos do golpe militar de 1964.
A ameaça à democracia é clara. É indiscutível. Está escrita, falada e televisada. O pretexto, agora, não é tão objetivo como antes, mas se dirige à “esquerda” e aos que buscam distribuir melhor a renda nacional com a maioria da população, ou defendem ideias de igualdade e direito do povo decidir, pelo voto, que governo prefere.

Há quem não tenha aprendido nada com os 21 anos de regime militar. Há quem deseje a força como saída para as questões da renda, da crise social, da corrupção, da representação política.
O problema é que sabemos não haver soluções fora da democracia. Sabemos que o melhor meio de resolver os problemas do país é o aperfeiçoamento dos mecanismos da educação política e da participação social. Mais democracia, portanto.

Não vamos permitir atentados ao direito de expressão, nem vamos consentir agressão tosca e desrespeitosa às pessoas. Liberdade não significa licença pra tudo. Limites sociais são norma em todas as sociedades. Vamos, então, discutir os limites. Assim como estamos impondo limites ao crime e à corrupção.

Devemos ser intolerantes com o desrespeito, a truculência e os atos criminosos sob o pretexto de ação política. Seja de movimentos organizados ou de indivíduos. Do Legislativo, do Executivo ou do Judiciário. A norma de ouro da democracia é a igualdade. A meta democrática é o governo pelo povo. Então quem atenta contra a democracia comete crime duas vezes. Contra a igualdade e contra o povo.

Laura Gomes
Deputada Estadual

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